sábado, 11 de fevereiro de 2012

Uma vez por ano reencontro com minha infância. E a cada ano a impressão é que ela fica mais distante. Em meu último reencontro ela tentou dizer adeus. Eu, com o choro tolhido pela minha adultês, tentei ouvir suas razões por essa despedida tão precoce. Minha menina por fim me disse: "eu sempre estarei ao seu lado".

sábado, 14 de maio de 2011

"Já se sabe como é quando alguém se separa de um ambiente onde viveu por muito tempo: quando se volta a longos intervalos se estranha o lugar, parece que aquelas calçadas, aqueles amigos, aquelas conversas de café ou são tudo ou não podem mais ser nada, ou se acompanha tudo isso dia a dia ou não se consegue mais entrar, e a idéia de dar sinal de vida depois de muito tempo dá como que um remorso, e é afastada. (...) Mas nos últimos tempos, nessa atitude negativa para com sua cidade natal, entrava, além do estado de espírito definido agora mesmo, também aquela sensação de desamor geral tomara conta dele, e que depois ele identificaria com o progredir da miopia."

Calvino
A aventura de um míope
in: Amores difíceis.

quarta-feira, 2 de março de 2011


"Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim

Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim"
Noel Rosa

É carnaval. A Melancolia é minha amiga e a Colombina me fascina, mas meu estado de adultês tolhe toda e qualquer rima.

domingo, 13 de setembro de 2009


Não sei sua estória. Nem seu passado. Mesmo assim meu coração, ao vê-lo, sente-se acalentado. De quimeras mil meu pequenino voa com seu dirigível. E em um mundo fantástico saboreia flores azuis e nuvens de borboleta. Em meio as estrelas brinca de ser soldadinho. Com tamanho encantamento, meu olhar naufraga no horizonte de lírios rubros. Obrigada, Pequenino.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Minha infância chama-se: bossa nova. Minha mãe: Nara Leão; e meu pai: João Gilberto. Meus tios, Poetinha e Maestro, sempre vinham me visitar. Meu avô vez por outra cantarolava suas aventuras e amores pelo mar. Esse meu lindo Caymmi, colocava-me para dormi: " minha jangada vai sair pro mar...". Foi uma infância feliz. No entanto, deixou-me com um coração tantinho assim melancólico. E de tanto sentimento a transbordar minh'alma, meu nome hoje é: Saudade.

terça-feira, 14 de abril de 2009



Hoje eles vieram me ver. Minha Meninice, Sr. Adultês e Amanhã. Todos muito gentis a desejarem um dia de infinitos carinhos. A Meninice foi a primeira a entrar em casa. Correu até meus braços, me apertou e passou sua pequenina mão sobre meu rosto. Como é bom poder sentir esse amor sincero. E de presente trouxe flores de jambeiro e jasmin para perfumar. O cheiro foi acalantador para meu coração saudoso. Sr. Adultês muito sério me comprimentou com um abraço e entregou-me um caderno com capa de couro. "É para você aprofundar sua jornada." E eu agradeço com tom de respeito a tanta seriedade. Onde está Amanhã? Pergunto surpresa ao Sr. Adultês. O Sr. não havia dito que ela viria? A Meninice se antecipa e, pulando pela sala fala em meio a risadas, diz: "Ela já já chega."

quarta-feira, 1 de outubro de 2008



Ela veio a mim correndo com a boca cheia de fruta colhida. Quanta alegria. Ela era um tanto assim: magrinha, desengonçada e sempre com esse olhar. Uma doçura. Entre os dias de raros vestidos e constantes bermudas cantarolava nas ruas de barro. Ai essa saudade... Um dia bateu em minha porta para me avisar: "Vou viajar!". Para onde? "Vou para a terra de jambos vermelho e chão de flores rosa." Deu-me uma pequena foto. "Para você não se esquecer de mim" E saiu correndo. Sumiu como pólen ao vento. Corro todo dia por entre essas ruas de pedra para concretizar seus sussurros ao meu ouvido.