quinta-feira, 1 de março de 2012

Ontem me despedi da Angústia durante meu encontro com o Mar. Ele, com sua brisa doce e olhares luminosos, me orientou no adeus. Disse-me: “A Angústia é uma ilusão à toa”. Com um simples sopro ele acalantou meu pensamento e ainda me trouxe de presente a Alegria vestida de fadinha e linda de tanto sorrir transbordava flores rubras. Durante nosso encontro contou-me das estórias vividas e das frutas colhidas. A Alegria é assim: vem sempre de passagem, mas quando surge é doce e terna. Seja sempre bem vinda fadinha.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ultimamente retomei meu convívio com a Ansiedade. Ela vez por outra me aparece de súbito, com um olhar gatuno que faz pulsar meu corpo e o coração acelerar. Sua aparição sempre acompanhada de minha Adultês que, não sei o porquê, teima em acreditar nessa amizade. A Ansiedade é assim: deslumbrante, de olhos avassaladores. É uma tormenta. Chega como uma chuva de prazer e se transforma em uma tempestade. A Adultês, coitada, segura a mão da Ansiedade com ingênua alegria e sem perceber é jogada em um mar de angústias. Pobre menina. Eu, na tentativa de acalantá-la vou ao seu encontro. Ela com olhares marejados e corpo trêmulo me diz: “Não consigo deixar de ser ingênua”. E eu repito cansada: “Eu sei.”.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Uma vez por ano reencontro com minha infância. E a cada ano a impressão é que ela fica mais distante. Em meu último reencontro ela tentou dizer adeus. Eu, com o choro tolhido pela minha adultês, tentei ouvir suas razões por essa despedida tão precoce. Minha menina por fim me disse: "eu sempre estarei ao seu lado".

sábado, 14 de maio de 2011

"Já se sabe como é quando alguém se separa de um ambiente onde viveu por muito tempo: quando se volta a longos intervalos se estranha o lugar, parece que aquelas calçadas, aqueles amigos, aquelas conversas de café ou são tudo ou não podem mais ser nada, ou se acompanha tudo isso dia a dia ou não se consegue mais entrar, e a idéia de dar sinal de vida depois de muito tempo dá como que um remorso, e é afastada. (...) Mas nos últimos tempos, nessa atitude negativa para com sua cidade natal, entrava, além do estado de espírito definido agora mesmo, também aquela sensação de desamor geral tomara conta dele, e que depois ele identificaria com o progredir da miopia."

Calvino
A aventura de um míope
in: Amores difíceis.

quarta-feira, 2 de março de 2011


"Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim

Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim"
Noel Rosa

É carnaval. A Melancolia é minha amiga e a Colombina me fascina, mas meu estado de adultês tolhe toda e qualquer rima.

domingo, 13 de setembro de 2009


Não sei sua estória. Nem seu passado. Mesmo assim meu coração, ao vê-lo, sente-se acalentado. De quimeras mil meu pequenino voa com seu dirigível. E em um mundo fantástico saboreia flores azuis e nuvens de borboleta. Em meio as estrelas brinca de ser soldadinho. Com tamanho encantamento, meu olhar naufraga no horizonte de lírios rubros. Obrigada, Pequenino.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Minha infância chama-se: bossa nova. Minha mãe: Nara Leão; e meu pai: João Gilberto. Meus tios, Poetinha e Maestro, sempre vinham me visitar. Meu avô vez por outra cantarolava suas aventuras e amores pelo mar. Esse meu lindo Caymmi, colocava-me para dormi: " minha jangada vai sair pro mar...". Foi uma infância feliz. No entanto, deixou-me com um coração tantinho assim melancólico. E de tanto sentimento a transbordar minh'alma, meu nome hoje é: Saudade.